Uma foto indesejada
“ Então Jesus disse aos seus discípulos: “Se alguém quiser acompanhar-me, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me. Pois quem quis...
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“Então Jesus disse aos seus discípulos: “Se
alguém quiser acompanhar-me, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e
siga-me. Pois quem quiser salvar a sua vida, a perderá, mas quem
perder a vida por minha causa, a encontrará. Pois, que adiantará ao
homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma? Ou, o que o homem
poderá dar em troca de sua alma?” (Mateus 16:24-27)
Em 2011, durante o meu curso de formação militar, vivi uma madrugada
inesquecível. Nossa turma seguia em comboio de Salvador (BA) a
Resende (RJ), para fazer uma visita à Academia Militar das Agulhas
Negras. Numa das curvas do caminho, o ônibus que estava à frente do
meu tombou, levando três vidas e marcando de forma definitiva muitas
outras. Quando desci do ônibus em que estava, o cheiro de sangue e
lama invadiu minhas narinas. No escuro, a primeira cena iluminada
pelos faróis foi a de um colega, sentado na beira da estrada. Ele
perdera o braço, assim como outras duas pessoas.
Perdida,
eu seguia apenas instruções, como a de sinalizar a estrada, para
que outros veículos não batessem no ônibus virado. Ao mesmo tempo,
orava a Deus, em desespero, pela vida do comandante do meu
grupamento, que ainda não tinha sido resgatado. Eu não sabia que,
naquele momento, ele já estava morto. Sem ter chegado aos trinta
anos, com uma filha de um mês de idade.
Aquela
madrugada deu início a dias e noites difíceis. A mente não parava
para aceitar os fatos, muito horríveis para processar. Quando uma
tragédia acontece, a vida ganha uma nova perspectiva. Naquele
momento, mesmo sem querer, registrei uma foto de como estava vivendo,
o que estava sentindo e fazendo. E guardei para sempre.
Uma das
imagens que a minha câmera involuntária registrou foi o que era
prioridade para mim, naquele dia. Certamente não era o meu
relacionamento com Deus. Não lembro de ter orado antes de embarcar
no ônibus. Eu havia preparado minha bagagem com todo cuidado,
passado os uniformes, separado material para estudar para as provas,
mas não tinha levado uma Bíblia comigo. Como eu senti falta dela!
Naquela
foto, vi que não estava preparada para más notícias. Não consegui
transformar minha tristeza em oração e seguir adiante, em
confiança, para servir e consolar os outros. Por um tempo, faltou
fé.
Hoje,
vejo esse álbum de forma diferente. Vejo como Deus é misericordioso
e infinito em bondade. Ele é o Senhor das segundas, terceiras e
quartas chances. A mim, deu a oportunidade de enxergar como eu me
relacionava com Ele e ter o desejo genuíno de mudar.
Uma boa
notícia é que você não precisa passar por um momento assim e
fazer uma foto involuntária. Você pode registrar, agora, uma foto
da sua vida. O que você mudaria? A melhor notícia é que, diante da
fragilidade da nossa existência na terra, da insustentabilidade dos
momentos, ainda dá tempo! Dá tempo de melhorar a fotografia do seu
relacionamento com Deus. Agora, enquanto você respira, dá tempo de
endireitar os seus caminhos e desfrutar de uma relação verdadeira
com o Espírito Santo.
Às
vezes ficamos esperando alguma coisa acontecer para buscar uma
mudança, para conhecer mais de Deus, para nos entregarmos mais a
Ele. Mas não há o que esperar, a não ser o momento seguinte. E não
sabemos o que ele trará. Afinal, “quem de vocês, por mais que se
preocupe, pode acrescentar uma hora que seja à sua vida?” (Mateus
6:27). Precisamos é nos desapegar do que ainda nos prende e dar
Glória a Deus, que está disponível para dar a chance de que
precisamos, enquanto houver fôlego!
Por Larissa Lima.
25 anos, jornalista.
